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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Depressão e esquizofrenia impedem emissão de CNH

  • Segundo a Abramet, doenças psicológicas tornam as pessoas incapazes de dirigir.


RJTV 2ª Edição
Rede Globo
Flagrante de violência no trânsito na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio (Foto: Reprodução/TV Globo)

Doenças psicológicas como depressão e esquizofrenia tornam as pessoas inaptas para dirigir veículos, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). Os laudos emitidos pelo médico e pelo psicólogo podem impedir a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O documento segue a Resolução 267 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que dispõe sobre os exames de aptidão física e psicológica para motoristas.

Na semana passada, casos de violência no trânsito, no Rio de Janeiro e em São Paulo, mais uma vez tomaram conta do noticiário. Muitos motoristas acabam se envolvendo em discussões e brigas por causa de pequenos acidentes nas ruas. O G1 conversou com um médico e uma psicóloga da Abramet que explicaram como é feita a avaliação psicológica e física do candidato a motorista.

O primeiro passo para quem quiser se candidatar a tirar a CNH é escolher uma clínica credenciada pelo Departamento de Trânsito (Detran) de seu estado. A etapa seguinte é a realização do exame de aptidão física e depois a psicológica.

Avaliação psicológica

Nesta etapa, deverão ser constatados, por métodos e técnicas específicas, os processos psíquicos do candidato para tomada de informação, processamento da informação, tomada de decisão, comportamento e auto-avaliação. Os testes devem estar regulamentados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).

"O candidato pode ser considerado inapto temporário se apresentar sinais de agressividade, agitação, instabilidade emocional, cansaço e exaustão. A emissão da CNH só será feita após nova avaliação. Para isso, a pessoa terá de passar por tratamento para solucionar esses diagnósticos", afirmou Raquel Almqvist, especialista em psicologia de tráfego.

"Se a pessoa apresentar características de agressividade, impulsividade e depressão acentuadas e psicopatologias como esquizofrenia, que engloba distúrbios bipolares, fobias, síndrome do pânico e paranóia, ela será considerada inapta a dirigir um veículo", disse Raquel.

A avaliação psicológica é feita para a emissão da primeira CNH. Nas renovações do documento, apenas motoristas profissionais se submetem ao teste.


Avaliação física

"O candidato responde a um questionário, cujo conteúdo será avaliado pelo médico perito. Em seguida, passa por exame sensorial (visão e audição), neurológico, cardiovascular e de sono (para as categorias C,D e E)", disse Alberto Sabbag, médico e diretor da Abramet.

A avaliação também determina se há a necessidade de adaptação do carro de acordo com a dificuldade de locomoção da pessoa. O exame é concluído com a avaliação morfológica e de faces. "Analisamos se ela tem perturbações de atenção, de concentração e indícios de uso de drogas. Além disso, procuramos sinais como coloração da pele ou deformidades que possam constituir risco para a direção de um carro", afirmou Sabbag.

Dependendo do resultado do laudo, o médico pode pedir exames complementares, que terão de ser feitos pelo candidato em clínicas particulares.

A avaliação física é feita para a emissão da primeira CNH e para as renovações do documento, a cada cinco anos.


No Rio de Janeiro

Na noite de sexta-feira (23), um motorista agrediu o pedestre André Luis Reuter Lima, de 45 anos, com uma chave de rodas, na Tijuca, Zona Norte do Rio. A vítima está com coma e respira com a ajuda de aparelhos. O motorista fugiu.

No sábado (24), a violência no trânsito fez outra vítima no Rio. O motoboy Marcelo Amorim de Lima, de 24 anos, foi morto com um tiro na barriga após discutir com um motorista no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. O motorista fugiu.


Em São Paulo

SPTV  1ª Edição
Rede Globo
Briga de trânsito termina em morte na Zona Sul de São Paulo (Foto: Reprodução/TV Globo)

Na madrugada de sábado (24), um rapaz de 18 anos morreu após levar um tiro durante uma briga de trânsito na região do Jabaquara, Zona Sul de São Paulo. Alexandre Andrade Reyes voltava com um colega de uma reunião na casa de uma amiga.

Em 11 de março, dois homens foram baleados após uma discussão de trânsito no Jardim Marajoara, na Zona Sul de São Paulo. Um dos feridos chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.

fonte: G1

terça-feira, 27 de maio de 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Erro no cérebro pode explicar comportamento violento

  • Cientista comparou tomografias de criminosos e pessoas normais.
    Pesquisador acredita que deve ser possível intervir para evitar crimes.

Onde estão as raízes da violência? Segundo pesquisador inglês, genética, funcionamento cerebral alterado e meio ambiente geram comportamentos anti-sociais.


Adrian Raine apresentou, no IV Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, trabalhos que mostram diferenças de padrões de funcionamento de determinadas áreas do cérebro em indivíduos comuns e assassinos.


O congresso que está acontecendo em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, reúne neurologistas, psiquiatras, psicólogos e neurocientistas do Brasil e do exterior.

O cientista apresentou imagens obtidas por Tomografia por Emissor de Pósitrons (PET) de indivíduos comuns e de criminosos contumazes, bem como de mentirosos patológicos. Os exames evidenciaram que áreas do cérebro humano são ativadas de maneira diferente nesses casos.

As regiões do lobo pré-frontal, região ligada ao controle das emoções e à capacidade de discernimento moral, se apresentam como áreas menos ativas nos sociopatas. Além dessas regiões, outras como amígdala cerebral e hipocampo atuam em conjunto quando precisamos avaliar nossos atos.

A capacidade de julgamento sobre o que é certo e errado faz parte da evolução das sociedades humanas e os conceitos de moralidade e regras de convivência têm raízes emocionais e conscientes.

O fator ambiental

A importância do ambiente na formação dos indivíduos violentos foi comprovada por pesquisas desenvolvidas pelo grupo da Universidade da Pensilvânia. Esses trabalhos detectaram que deficiências nutricionais e falta de estímulo cognitivo em crianças de 3 a 5 anos de idade contribuem para maiores chances de um desfecho ruim da formação desses adultos.

Todos esses fatores não explicam isoladamente atos violentos, especialmente quando esses atos partem, de indivíduos aparentemente insuspeitos. Segundo Raine, que estuda a violência há mais de trinta anos não se pode estigmatizar pessoas por apresentarem padrões de ativação cerebral, diferente dos indivíduos comuns. O que deve ser proposto são intervenções precoces que possam evitar resultados desastrosos quando fatores genéticos, sociais e neurofuncionais se juntam.


fonte: G1