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terça-feira, 14 de julho de 2009

Consumo de maconha pode causar esquizofrenia?

por Danilo Baltieri

Muitas pessoas que fazem uso dessa substância referem um sentimento de leve euforia e bem-estar após o uso, sendo uma das razões para a perpetuação do consumo. Em alguns indivíduos, contudo, o uso frequente tem consequências bastante adversas e pode provocar sintomas chamados psicóticos.

Adolescentes, particularmente, podem ser mais sensíveis aos efeitos do uso da maconha devido ao período da vida de continuado desenvolvimento cerebral.

Quando um quadro psicótico ocorre entre usuários de maconha, esses indivíduos podem ser admitidos em unidades de emergência médica, embora geralmente os sintomas psicóticos (audição de vozes, sensação de que estão sendo perseguidos, agitação psicomotora, etc) cessem em algumas horas. Em outros indivíduos, um quadro psicótico mais duradouro induzido pelo consumo de maconha pode acontecer e se assemelhar bastante a um quadro de esquizofrenia.

Além disso, em alguns outros indivíduos usuários de maconha, um primeiro episódio de surto esquizofrênico pode iniciar, e a maconha é comumente responsabilizada por isso em geral pelos familiares e pelos próprios pacientes.

De fato, o consumo de maconha pode produzir sintomas parecidos com quadros esquizofreniformes em indivíduos que já estão em risco para o desenvolvimento da doença esquizofrenia, devido ao fato que esses usuários já teriam prévias alterações cerebrais funcionais ou susceptibilidade genética.

Indivíduos que já sofrem de esquizofrenia e apresentam história pessoal de consumo de maconha ou outras substâncias demonstram um início mais precoce da doença (esquizofrenia) do que aqueles esquizofrênicos que nunca usaram maconha ou outras substâncias. Parece que entre os indivíduos do primeiro grupo têm menos sintomas negativos (apatia, falta de vontade de desempenhar atividades) e mais sintomas positivos (alucinações, delírios) do que os do segundo grupo.

Também, alguns autores demonstram que as pessoas que padecem de esquizofrenia, se mantiverem o consumo de maconha, apresentarão um curso mais grave da doença, embora este pior prognóstico não é apenas relacionado com o uso da maconha.

De fato, o relacionamento “consumo de maconha – esquizofrenia” não pode ser ignorado do ponto de vista clínico e epidemiológico.

Em um estudo Sueco, o risco relativo do surgimento de quadros esquizofrênicos entre usuários de maconha foi 4.1 comparado com não usuários de maconha e de 6.0 para consumidores pesados de maconha. Todavia, outro estudo Australiano demonstrou que apesar do aumento da incidência de usuários de maconha no país, não houve aumento da incidência do diagnóstico de esquizofrenia.

Todavia, os autores do último estudo apontam que, embora não haja uma relação unifatorial e unicausal entre uso de maconha e esquizofrenia, o consumo dessa substância pode precipitar quadros psicóticos em pessoas vulneráveis, bem como piorar o curso da doença esquizofrenia. Ao contrário, outro estudo publicado no British Journal of Psychiatry em 2004 (Arseneault L, Cannon M, Witton J, Murray RM. Causal association between cannabis and psychosis: examination of the evidence. Br J Psychiatry 2004;184:110-7) revisou 5 outros estudos que incluíram amostras bem definidas da população, avaliando o consumo de maconha e o posterior surgimento de quadros esquizofrênicos. Os autores concluíram que o uso de maeonha confere um aumento de 2 vezes no risco relativo para Esquizofrenia. Ainda, os autores sugeriram que a eliminação do consumo de maconha reduziria a incidência da esquizofrenia em cerca de 8%, assumindo uma relação de causalidade.

De fato, dados como esses não podem ser desconsiderados. No entanto, deve-se no momento aceitar que o consumo de maconha pode induzir sintomas psicóticos principalmente entre pessoas predispostas ao surgimento de quadros esquizofreniformes. Apenas uma avaliação clínica especializada, bem como um acompanhamento médico intensivo poderá auxiliar o usuário de maconha com quadro psicótico a ser adequadamente diagnosticado e tratado.

Abaixo, forneço referência bastante interessante sobre o tema:

DeLisi LE. The effect of cannabis on the brain: can it cause brain anomalies that lead to increased risk for schizophrenia? Curr Opin Psychiatry 2008;21(2):140-50.

fonte: Vya Estelar

terça-feira, 30 de junho de 2009

Estudo revela área no cérebro em que o álcool atua

29/06/2009 - 13h49

Estudo revela área no cérebro em que o álcool atua

Da Agência Fapesp
Após algumas doses a mais, é inevitável que o álcool "suba à cabeça", como se costuma dizer. Mas se os efeitos inebriantes dessa ingestão são muito conhecidos, o mesmo não ocorre com sua atuação na atividade cerebral.

Um estudo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, indica que três copos de cerveja podem "subir" rapidamente. Resultados de testes com ressonância magnética em oito homens e sete mulheres mostraram que, em apenas seis minutos após o consumo de uma quantidade de álcool similar a três copos de cerveja ou duas tacinhas de vinho, levando os níveis de álcool no sangue a 0,06%, há mudanças nas células cerebrais. Leia mais
AÇÃO EM APENAS 6 MINUTOS
Um novo estudo, feito por cientistas do Instituto Salk de Ciências Biológicas e da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, acaba de dar importante contribuição para entender melhor como o álcool altera o funcionamento das células cerebrais. O trabalho foi publicado neste domingo (28) pela revista "Nature Neuroscience".

Paul Slesinger, professor do Laboratório de Peptídeos do Instituto Salk, e colegas descobriram uma área específica para a ação do álcool localizada dentro de proteínas de canais iônicos. A compreensão de como o álcool atua no cérebro pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para problemas como alcoolismo, uso de drogas ou epilepsia, apontam os autores do estudo.

Sabe-se que o álcool altera a comunicação entre neurônios. "Há muito interesse em descobrir como o álcool atua no cérebro. Uma das diversas hipóteses é que o álcool funciona ao interagir diretamente com proteínas de canais iônicos, mas não havia estudos que identificassem o local dessa associação", disse Slesinger.

A nova pesquisa demonstra que o álcool interage diretamente com um local específico localizado dentro de um canal iônico, que tem papel fundamental em diversas funções cerebrais associadas com eventos epiléticos e com o abuso de álcool e drogas.

Os canais, chamados de canais Girk, são abertos durante períodos de comunicação química entre neurônios e amortecem o sinal entre eles, criando o equivalente a um curto-circuito.

Quando os Girks se abrem em resposta à ativação neurotransmissora, íons de potássio são liberados pelo neurônio, diminuindo a atividade neuronal. O estudo é o primeiro a identificar que o álcool estimula os canais Girk diretamente, e não por meio do resultado de outras alterações moleculares nas células.

"Achamos que o álcool sequestra o mecanismo de ativação intrínseca dos Girk e estabiliza a abertura dos canais. O álcool pode fazer isso por meio da lubrificação das engrenagens de ativação dos canais", aponta Slesinger.

"Se pudermos encontrar uma droga que se encaixe no ponto específico de atuação do álcool e ative os canais Girk, talvez possamos diminuir a excitabilidade neuronal no cérebro, o que resultaria em uma nova estratégia para o tratamento da epilepsia", disse o pesquisador.

fonte: UOL

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Cientistas alertam para abuso de remédios psicoativos

Um painel de cientistas alerta nesta quinta-feira o governo britânico para o risco do abuso de medicamentos para melhorar a capacidade do cérebro, à medida que estes se tornem mais comuns no futuro.
Os remédios que aumentam o poder cognitivo, criados para tratar doenças como o Mal de Alzheimer, têm o potencial de melhorar atividades como memória, atenção ou velocidade de pensamento em pessoas saudáveis, afirma o relatório da Academia Médica de Ciências sobre cérebro, vício e drogas.
Segundo o principal autor do relatório, Sir Gabriel Horn, da Universidade de Cambridge, “os avanços recentes e contínuos de nosso conhecimento sobre como o cérebro funciona vão levar a um aumento no número de drogas psicoativas".
"Essas drogas poderão ser usadas como remédios para tratar doenças mentais como depressão, desordem bipolar ou vício em drogas, ou para melhorar a performance do cérebro”.
Os cientistas temem, no entanto, que os medicamentos sejam usados por pessoas saudáveis para melhorar sua capacidade física.
A academia pede ao governo e órgãos reguladores que monitorem de perto o uso desses remédios por pessoas saudáveis, como estudantes fazendo exames ou funcionários que queiram melhorar seu desempenho no trabalho.
“Nós vemos semelhanças no uso futuro dos remédios que aumentam o poder cognitivo com o atual uso de drogas que melhoram a performance física no esporte".
"É provável que o uso desses remédios propicie uma análise sobre os impactos social e econômico, permitindo ao governo considerar regulações ‘localizadas’ sobre o uso nas escolas, universidades e locais de trabalho”, recomenda o relatório.
Os remédios hoje existentes não melhoram muito a capacidade cognitiva de pacientes com Alzheimer e há poucas evidências sobre seu efeito em pessoas saudáveis, “mas a quantidade de remédios disponíveis na Internet já encoraja os curiosos e esperançosos a experimentá-los”, afirma o documento.
fonte: BBC Brasil