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terça-feira, 30 de junho de 2009

Estudo revela área no cérebro em que o álcool atua

29/06/2009 - 13h49

Estudo revela área no cérebro em que o álcool atua

Da Agência Fapesp
Após algumas doses a mais, é inevitável que o álcool "suba à cabeça", como se costuma dizer. Mas se os efeitos inebriantes dessa ingestão são muito conhecidos, o mesmo não ocorre com sua atuação na atividade cerebral.

Um estudo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, indica que três copos de cerveja podem "subir" rapidamente. Resultados de testes com ressonância magnética em oito homens e sete mulheres mostraram que, em apenas seis minutos após o consumo de uma quantidade de álcool similar a três copos de cerveja ou duas tacinhas de vinho, levando os níveis de álcool no sangue a 0,06%, há mudanças nas células cerebrais. Leia mais
AÇÃO EM APENAS 6 MINUTOS
Um novo estudo, feito por cientistas do Instituto Salk de Ciências Biológicas e da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, acaba de dar importante contribuição para entender melhor como o álcool altera o funcionamento das células cerebrais. O trabalho foi publicado neste domingo (28) pela revista "Nature Neuroscience".

Paul Slesinger, professor do Laboratório de Peptídeos do Instituto Salk, e colegas descobriram uma área específica para a ação do álcool localizada dentro de proteínas de canais iônicos. A compreensão de como o álcool atua no cérebro pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para problemas como alcoolismo, uso de drogas ou epilepsia, apontam os autores do estudo.

Sabe-se que o álcool altera a comunicação entre neurônios. "Há muito interesse em descobrir como o álcool atua no cérebro. Uma das diversas hipóteses é que o álcool funciona ao interagir diretamente com proteínas de canais iônicos, mas não havia estudos que identificassem o local dessa associação", disse Slesinger.

A nova pesquisa demonstra que o álcool interage diretamente com um local específico localizado dentro de um canal iônico, que tem papel fundamental em diversas funções cerebrais associadas com eventos epiléticos e com o abuso de álcool e drogas.

Os canais, chamados de canais Girk, são abertos durante períodos de comunicação química entre neurônios e amortecem o sinal entre eles, criando o equivalente a um curto-circuito.

Quando os Girks se abrem em resposta à ativação neurotransmissora, íons de potássio são liberados pelo neurônio, diminuindo a atividade neuronal. O estudo é o primeiro a identificar que o álcool estimula os canais Girk diretamente, e não por meio do resultado de outras alterações moleculares nas células.

"Achamos que o álcool sequestra o mecanismo de ativação intrínseca dos Girk e estabiliza a abertura dos canais. O álcool pode fazer isso por meio da lubrificação das engrenagens de ativação dos canais", aponta Slesinger.

"Se pudermos encontrar uma droga que se encaixe no ponto específico de atuação do álcool e ative os canais Girk, talvez possamos diminuir a excitabilidade neuronal no cérebro, o que resultaria em uma nova estratégia para o tratamento da epilepsia", disse o pesquisador.

fonte: UOL

terça-feira, 10 de junho de 2008

Substância pode acabar com alcoolismo

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco, EUA, tratabalham no desenvolvimento de um tratamento em que um alcoólatra pode deixar o vício com apenas uma injeção. A substância responsável pelo que seria considerado uma espécie de ‘milagre’ é conhecida pela sigla GDNF.

O GNDF é uma proteína que ocorre naturalmente e preserva os neurônios motores durante o desenvolvimento. A substância de crescimento também está relacionada à formação dos rins e pode estar envolvida com a região do cérebro afetada pelo vício em álcool e outras drogas, como cocaína e morfina.

Na pesquisa, os pesquisadores da Califórnia usaram microinjeções de GDNF em ratos de laboratório e observaram que a substância fazia com que os animais diminuíssem sua ingestão de álcool. Ratos que anteriormente tinham sido viciados na bebida não voltavam a tomá-la, mesmo que colocados à frente do álcool. No entanto, as cobaias não deixavam de gostar de açúcar. Especialistas consideram que esse seja um indicador de que o GDNF não interfere na capacidade geral dos animais sentirem prazer.

O próximo passo da pesquisa seria transferir os testes para seres humanos. O estudo está na edição desta semana da revista científica americana PNAS.

fonte: VEJA

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pesquisa revela aumento no número de mulheres alcoolistas


Um estudo publicado na revista científica Drug and Alcohol Dependence e recentemente divulgado no Brasil pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), afiram que houve uma redução significativa da diferença entre as quantidades de homens e mulheres no abuso e na dependência de álcool.

Até a realização da pesquisa, a informação conhecida era de que, na população americana, os homens bebiam mais e tinham mais chances de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool. Por isso, a pesquisa analisou a aproximação entre os gêneros quanto ao padrão de uso de bebidas, com ênfase no "binge drinking" - beber exageradamente em uma única ocasião - bem como prevalência de abuso e dependência.

Foram entrevistadas 43 mil pessoas, com mais de 18 anos, nos Estados Unidos, por meio de um questionário estruturado sobre os critérios diagnósticos de abuso e dependência do Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-IV, na sigla em inglês). A amostra foi dividida em quatro categorias, conforme o ano de nascimento dos entrevistados.

Segundo os autores da pesquisa, os homens consomem maior número de doses de álcool em ocasiões específicas. No entanto, a proporção de uso entre homens e mulheres diminuiu ao longo do tempo, caindo de 2,91% (para os nascidos entre 1913 e 1932) para 2,10% (de 1968 a 1984). Já a freqüência de "binge drinking" aumentou entre as pessoas de ambos os sexos. A proporção homem/mulher tem diminuído, passando de 10,55% (entre 1913 e 1932) para 2,66% (entre 1968 e 1984).

A continuidade da dependência na vida do entrevistado também aumentou para ambos os gêneros, mas a proporçao entre homens e mulheres diminuiu de 5,07% (de 1913 a 1932) para 1,97% (de 1968 a 1984), assim como o abuso do álcool, de 7,14% (entre 1933 e 1949) para 1,63% (de 1968 a 1984). Houve uma aproximação da taxa de abstinência, que sempre foi maior entre as mulheres.

Para os pesquisadores, o período de nascimento tem um efeito importante sobre a influência dos gêneros nas diferentes medidas de consumo de álcool e nas desordens relacionadas. Embora a participação dos homens tenha sido maior em todos os comportamentos e transtornos, tem-se testemunhado uma convergência entre os gêneros, especialmente em períodos mais recentes. Aspectos biológicos e sociais, como a maior aceitação do álcool pela mulher, atualmente, podem explicar essas transformações.

Outro resultado que chama a atenção é que o comportamento do "binge drinking", que diminuiu entre os homens, tem aumentado entre as mulheres, indicando a necessidade de se desenvolver medidas de prevenção e tratamento específicos. Na opinião dos autores do estudo, pesquisas que examinem fatores socioculturais que encorajam a expressão de abuso e dependência do álcool entre as mulheres devem ser incentivadas.

fonte: RedePsi

domingo, 18 de maio de 2008

Ansiedade é responsável por 70% dos casos de enxaqueca

Maurílio Mendonça
mgomes@redegazeta.com.br


Quem sente dor de cabeça sabe: é só o problema começar que acabam o bom humor e a vontade de fazer qualquer outra coisa. Mas não adianta ficar estressado, pois a ansiedade é a responsável por 70% dos casos de enxaqueca. Isso sem contar com a cefaléia tensional, que, como o próprio nome já diz, é causada pela alteração no estado emocional.

A OMS relata que 46% da população terá uma crise de cefaléia tensional; e 14%, de enxaqueca, salienta o médico neurologista Marcelo Muniz, professor da Emescam.

Ele explica que as dores de cabeça relacionadas à cefaléia tensional são de menor duração, podem acontecer uma vez por dia e surgem no fim da tarde ou à noite, quando a pessoa começa a relaxar. Já as crise de enxaqueca chegam a durar de quatro horas a três dias inteiros, mas acontecem normalmente uma vez por mês. “Com exceção dos casos crônicos”, frisou.


Chances


O mais preocupante é que dois terços da população terão, de forma inevitável, uma dor de cabeça durante toda a sua vida. A afirmação é da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A cefaléia pode ser motivada por qualquer fator. Não adianta achar que a dor veio porque você não comeu direito ou exagerou no prato, ou porque você ficou o dia todo em frente à televisão ou diante do computador.

Essas questões não desencadeiam a dor, mas aumentam a chance do surgimento dela. “A medicina ainda não sabe o responsável da cefaléia tensional nem o causador da enxaqueca. Só se sabe que determinadas ações ou certos alimentos intensificam a dor”, explica o neurologista Marcelo Muniz.

Para o tratamento: remédios receitados somente pelo médico. Em alguns casos de enxaqueca, doses pequenas de antidepressivos ou anticonvulsivos são os mais indicados. Mas se o “gatilho” das dores estiver ligado à ansiedade, aconselham-se momentos de lazer, como esportes, além de acupuntura e ioga.


Mulheres sofrem mais de enxaqueca


A cada dez mulheres, duas sofrerão de enxaqueca. Já entre os homens, o caso acontece apenas em um a cada 20. A diferença já foi comprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e o responsável por essa diferença seria o estrogênio, hormônio em excesso nas mulheres. “Só foi descoberto que esse hormônio desencadeia a enxaqueca e aumenta as crises. Mas não podemos afirmar que ele seja o responsável por elas. O gatilho, o desencadeador de tudo, ainda não sabemos“, explica o neurologista Marcelo Muniz. Segundo ele, as mulheres são maioria sempre quando se fala de dor de cabeça, seja qual for.


Alimentação pode ajudar ou piorar os sintomas


Café: Ideal para reduzir as dores de cabeça. A cafeína está presente nos analgésicos. O chá verde e o chocolate amargo também podem ajudar. Mas o excesso de cafeína pode piorar as dores.

Gordura: Esqueça aqueles alimentos pesados, gordurosos, que levam dias para ser digeridos. Eles podem piorar as dores. Carne vermelha também entra na lista.

Fome: Ficar muitas horas sem comer também é um problema. A hipoglicemia pode aumentar a intensidade da dor de cabeça e, em raríssimos casos, desencadeá-la. O ideal é se alimentar de três em três horas, em pequenas porções.

Álcool: Bebidas alcoólicas também desencadeiam ou intensificam as dores de cabeça.

Leite: Quem sofre de intolerância à lactose, quando consome alguma bebida ou alimento que contenha leite, também pode sofrer de dores de cabeça. Vá a um médico caso isso aconteçaConservantes: Tudo qualquer tipo de alimento com conservante ou corante pode intensificar as dores. Há casos até de intoxicação por conta de alimentos ricos em produtos químicos.

Açúcares: Doces em gerais devem ser evitados, principalmente em grande quantidade, durante as crises. A situação pode piorar, e muito.


Quem sofre


30 milhões Essa é a quantidade de brasileiros que sofrem com algum tipo de dor de cabeça, segundo dados da Academia Brasileira de Neurologia.

66% da população Mundial vai ter, pelo menos, uma dor de cabeça na vida, revelam os dados repassados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Café pode ser mocinho e vilão Um cafezinho pode ser mais saudável do que muita gente imagina. Mesmo não sendo indicado pela maioria dos neurologistas, o café pode reduzir as dores de cabeça, já que a cafeína é encontrada em muitos analgésicos usados para controlar as crises.“Já ouvi relatos de pacientes que ao tomarem o café têm as dores reduzidas. Acho normal, visto que muitos medicamentos são feitos de cafeína. Mas, também, não vale a pena se entupir de café. Se já tomou o remédio, não ingira a bebida. Nada em excesso faz bem” , alerta o neurologista Marcelo Muniz.

O excesso da cafeína também pode fazer mal. “Ela, em excesso, contrai os vasos sanguíneos, o que pode aumentar, ainda mais, as dores de cabeça”, afirma a nutricionista Roberta Larica.

Ela aponta, ainda, além do café, outros alimentos e bebidas que podem ajudar a reduzir os sintomas da cefaléia. “O chá verde e o chocolate são ricos em cafeína, também. Mas opte pelo chocolate amargo. Ele tem menos gordura e açúcar”, explica.

O doce e alimentos gordurosos em excesso, segundo ela, também intensificam as dores. E o que era para ser saudável, torna-se prejudicial.


Até analgésico demais faz mal


Atire a primeira pedra quem nunca tomou um analgésico, sem se consultar com um médico, quando sentiu uma pequena dor de cabeça. Sempre tem alguém do lado, seja em casa ou no trabalho, com um comprimido a disposição. Basta um copo de água e pronto. Só que esses comprimidos em excesso podem provocar uma cefaléia difícil de ser tratada.

O excesso da automedicação, chegando ao ponto de ingerir o medicamento antes mesmo da dor de cabeça surgir, é um problema comum no consultório dos neurologistas. “É a cefaléia provocada por abuso de analgésico. Difícil de ser controlada”, conta o médico Marcelo Muniz.“Esse tipo de dor de cabeça funciona como uma dependência química. A pessoa nem sente dor de cabeça, toma o medicamento, em menos de quatro horas toma outro. É um círculo vicioso, de fato”, explica o neurologista.

Segundo ele, para tratar uma dor de cabeça é recomendável, primeiro, ir ao médico, para depois da situação ser avaliada, recomendar analgésicos com propriedades antiinflamatórias, ou, em casos mais extremos, pequenas quantidades de antidepressivos e anticonvulsivos.