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terça-feira, 3 de junho de 2008

Médicos demonstram desconhecimento de síndrome que atinge 10% dos idosos

O transtorno neurológico chamado Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) atinge 5% da população mundial em geral, número que aumenta para 10% quando somente pessoas idosas são incluídas nas pesquisas. Apesar destas altas taxas de incidência, a patologia é considerada a de ocorrência mais freqüente de que as pessoas nunca ouviram falar.

Pensando em diminuir este desconhecimento, que atinge mesmo a classe médica, um grupo de pesquisadores de instituições brasileiras, incluindo a Faculdade de Medicina (FM) da USP, participou de uma reunião para desenvolver um documento baseado na experiência clínica e pesquisa, unificando e divulgando procedimentos de diagnóstico e tratamento da doença. As conclusões foram publicadas em um artigo na revista Arquivos de Neuropsiquiatria, em abril de 2007, sob o título Síndrome das Pernas InquIetas: Diagnóstico e tratamento – opinião de especialistas brasileiros.

O médico Flávio Aloé, do Centro Interdepartamental para os Estudos do Sono do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP e um dos autores, explica que o objetivo do estudo é ser uma referência tanto para médicos na clínica diária, como para pesquisadores e promotores de políticas de saúde pública, facilitando o diagnóstico e indicando os medicamentos mais eficientes para pacientes com a SPI. Segundo o médico, dados do Canadá e Estados Unidos, países desenvolvidos e teoricamente com sistemas de saúde eficientes, indicam que apenas de 15% a 23% dos portadores do transtorno são corretamente diagnosticados. Apesar de não haverem pesquisas semelhantes no Brasil, imagina-se que esta situação aqui seja ainda pior.

“Uma ocorrência muito grave que pretendemos minimizar é o fato de os pacientes que apresentam os sintomas da doença e se queixam aos seus médicos serem erroneamente identificados como portadores de transtornos psicossomáticos, ansiedade ou depressão. O uso de antidepressivos causa e agrava os sintomas da SPI, ocasionando grande sofrimento a estas pessoas”, adverte o pesquisador.

Para Aloé, os esforços da indústria farmacêutica em ampliar o conhecimento da doença têm ajudado na difusão da temática entre a classe médica mas ainda são necessárias outras ações neste sentido. “Temos relatos de pacientes que chegam ao consultório dizendo apresentar os sintomas da SPI, após ter pesquisado o assunto na Internet, por exemplo, e que são solicitados pelo médico a ‘explicar’ do que se trata esta doença da qual ele nunca ouviu falar”, conta.

A doença
A SPI é uma condição médica crônica caracterizada por desconforto nos membros, causando várias morbidades médicas e mentais e alterações do sono. O principal sintoma apresentado é uma compulsão irresistível para movimentar os membros, causada por uma sensação de desconforto, sendo que esta sensação começa ou piora em repouso e no horário noturno (antes de dormir ou durante a noite).

O desconforto apresenta-se como queimação, dor, pontadas, cãibras e parestesias, isto é, sensações na pele como calor, formigamento, pressão e dormência, e que são vivenciadas sem estimulação direta sobre o local. Costuma ser localizado nas panturrilhas, e é aliviado temporariamente por atividade física ou banhos quentes.

A SPI se caracteriza pela degeneração de certos sistemas neurais, e são considerados fatores de risco para o seu aparecimento as seguintes situações: ser do sexo feminino; ter mais que 50 anos; estar grávida; ser doador freqüente de sangue; apresentar anemia, insuficiência renal crônica, doença de Parkinson, diabetes mellitus, fibromialgia, artrite reumatóide, mielopatias, neuropatia periférica; e usar fármacos como antidepressivos. Mas é importante ressaltar que nem todas as pessoas que apresentem tais condições desenvolverão necessariamente a doença, já que a predisposição genética é sua causa determinante.

O tratamento consiste na administração de remédios (principalmente drogas conhecidas como agentes dopaminérgicos e anticonvulsivantes), reposição de ferro, e tomada de outras medidas, como suspensão de fármacos que agravam o problema – a exemplo dos antidepressivos –, realizar a chamada “higiene do sono”, evitando o consumo de cigarros, produtos ricos em cafeína e bebidas alcoólicas e também a prática de exercícios físicos intensos antes de dormir, bem como tratar outros transtornos do sono que o paciente apresentar.

Os membros do Grupo Brasileiro de Estudos em Síndrome das Pernas Inquietas (GBE-SPI) que produziram as conclusões descritas no artigo são: Flávio Aloé, Rosana Cardoso Alves, Luiz Augusto Franco Andrade Márcia Assis, Andrea Bacelar, Márcio Bezerra, Henrique Ballalai Ferraz, Ronaldo Guimarães Fonseca, Wagner Horta, Mônica Santoro Haddad, Rosa Hasan, James Pitágoras de Mattos, Gilmar Prado, Nonato Rodrigues, Ademir Batista Silva, Delson José da Silva, Hélio Afonso Ghizoni Teive, Francisco Cardoso, Geraldo Rizzo (estes dois últimos foram os responsáveis pela redação final).

fonte: uai.com.br

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Naproxen e celecoxib não melhoram função cognitiva em idosos

O uso de naproxeno ou celecoxib não melhora a função cognitiva em idosos. A conclusão é baseada nos resultados do Alzheimer's Disease Anti-inflammatory Prevention Trial (ADAPT) publicados, este mês, no Archives of Neurology.

De acordo com a investigação efectuada na Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, em Maryland, (Estados Unidos), o uso de naproxen ou celecoxib não melhorou a função cognitiva, demonstrando pouca evidência de efeito deletério para o naproxen.

Segundo explicaram os investigadores, as limitações para este estudo incluem a interrupção do estudo devido a preocupações emergentes com relação à segurança cardiovascular com os antiinflamatórios não-esteroidais.

“O acompanhamento contínuo dos participantes do estudo, mesmo após a finalização do tratamento, parece interessante para avaliar os efeitos desse com relação ao tempo de exposição. No entanto, não sugerimos o uso destas drogas como prevenção da doença de Alzheimer no momento”, sintetizaram.

O estudo randomizado, duplo-cego, de prevenção farmacológica incluiu homens e mulheres com 70 anos ou mais de idade com história familiar de doença de Alzheimer que foram conduzidos a seis clínicas americanas.


fonte: farmacia.com.pt

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Idosos utilizam jogos para tentar manter mente ativa

Manter a cabeça ativa é uma estratégia para evitar a perda de memória em idosos e minimizar ou adiar o aparecimento de demências. Apostando nisso, empresas de eletrônicos têm colocado no mercado jogos on-line ou de videogame voltados a esse público.

Atividades que antes eram feitas apenas no papel, como cruzadinhas, sudoku e variados exercícios para treinar a mente agora podem ser feitos em aparelhos eletrônicos.

Kevin Lamarque/Reuters
Idosos assistem colega "jogar boliche" no videogame Wii; produtos oferecem "treinamento cerebral" com o intuito de melhorar memória
Idosos assistem colega "jogar boliche" no videogame Wii; produtos oferecem "treinamento cerebral" com o intuito de melhorar memória

Diversas pesquisas foram realizadas para comprovar os benefícios dos jogos. Muitas delas, com patrocínio das próprias empresas fabricantes. Porém, médicos ligados à saúde dos idosos ouvidos pela Folha questionaram até que ponto os produtos podem melhorar o funcionamento cognitivo.

Eles defendem que os jogos e outras atividades ajudam a preservar a mente, mas que os benefícios são restritos.

Produtos

Uma das empresas a perceber o filão foi a Nintendo, que lançou jogos como o Brain Age. Nele, o usuário pode acompanhar uma partitura, identificando as notas, fazer o troco de valores em dinheiro, escrever as palavras que escuta e memorizar uma ordem de números para depois lembrá-la.

Conforme o desempenho, o jogo diz se o cérebro do usuário está em forma ou não.

Depois dele, a linha "brain gym" (ginástica cerebral) ganhou concorrentes, como o MindFit e o Brain Fitness Program. Este último, vendido nos EUA, tem como slogan "seus netos irão lhe agradecer".

Já o MindFit foi tema de uma pesquisa recente sobre jogos. Divulgada em 2007 por pesquisadores em Israel, ela mostrou que os usuários do MindFit e de videogames clássicos tiveram melhoras na memória especial de curto prazo e na atenção. O estudo foi patrocinado pela fabricante CogniFit e envolveu 121 voluntários.

Mas foi outra pesquisa, divulgada em 2006, que chamou em especial a atenção dos médicos.

Comandada por institutos de saúde do governo americano, o estudo avaliou 2.832 pessoas e constatou que os que receberam treinamento de raciocínio, treino de velocidade ou memória tiveram desempenhos melhores em exercícios que um grupo controle --que não recebeu treinamento. Eles foram melhores até cinco anos depois.

Os resultados vão no mesmo sentido do que diz Carlos Paixão, da Sociedade de Geriatria do Rio de Janeiro. Para ele, jogos e outras atividades "podem melhorar a memória nessas pessoas que têm transtornos cognitivos que não são considerados demência".

Porém, segundo ele, não há nenhum trabalho realmente sério até hoje que mostre que a estimulação cognitiva previna o aparecimento de demências. Sonia Brucki, médica da Academia Brasileira de Neurologia, também diz que jogos eletrônicos têm a mesma propriedade que outras atividades por manterem a mente da pessoa ativa de alguma forma.

"A atividade pode ajudar aumentando as sinapses entre os neurônios. Ajuda a evitar a perda de memória e algumas doenças degenerativas e pode postergar o aparecimento de outras. Mas não pode ser em excesso. E se o paciente tiver que ter uma doença como o Alzheimer, vai ter de qualquer jeito."

Sonia diz que, treinando com jogos, o usuário pode ficar mais veloz em perceber um estímulo visual na tela, mas isso não quer dizer que ficará mais rápido em outras atividades do cotidiano. "Quem garante que vai deixar o reflexo mais rápido no carro. É muito mais interessante tentar lembrar uma notícia do que ficar lendo um computador", afirma. Entre as atividades recomendadas pela médica estão palavra-cruzada, sudoku e jogo da memória.

On-line

Além do videogame, a internet é também terreno vasto para proliferação desse tipo de jogos, a maioria voltados ao público em geral. Um deles, o www.brainbuilder.com promete resultados em poucos meses. Há também sites em português com jogos de raciocínio, sem a promessa de melhorar a memória, entre eles o rachacuca.com.br.

fonte: Folha On Line

terça-feira, 20 de maio de 2008

Saúde: Carência de vitamina D está ligada à depressão nos idosos

  • Washington, 06 Mai (Lusa) - A carência de vitamina D pode aumentar o risco de depressão ou de outros problemas psiquiátricos nas pessoas idosas, segundo um estudo publicado segunda-feira e efectuado por investigadores neerlandeses.

"As causas subjacentes de uma carência em vitamina D, como uma exposição reduzida ao sol decorrente de uma diminuição de actividade ao ar livre, uma mudança de alojamento ou de hábitos de vestuário, ou a diminuição de consumo de vitaminas, podem estar na origem de uma depressão mas esta pode também ser a consequência de uma baixa taxa de vitamina D", segundo o estudo publicado nos Archives of General Psychiatry.

Os investigadores da Vrije Universiteit, em Amesterdão, estudaram 1.282 pessoas com idades entre os 65 e os 95 anos, das quais 169 sofriam de depressão ligeira.

A taxa de vitamina D nas pessoas deprimidas era inferior em 14 por cento da das outras pessoas idosas, revela este estudo.

O estudo também mostra que uma carência de vitamina D aumenta o nível de uma hormona paratiroidiana, sendo a hiperactividade das glandes paratireóides normalmente associada à depressão.

Esta descoberta pode ser importante para o tratamento da depressão, podendo a fraca taxa de vitamina D no sangue e o elevado nível de hormona paratiroidiana ser contrariada através de uma dieta e de suplementos de cálcio ou de uma maior exposição ao sol.

"Além disso, descobrimos entre a população estudada que 38,8 por cento dos homens e 56,9 por cento das mulheres apresentava uma carência de vitamina D, o que reforça o interesse deste estudo", afirmam os investigadores.

Outros estudos deverão agora demonstrar se as variações das taxas de vitamina D no organismo são a causa ou a consequência das depressões.

fonte: RTP