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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Movimento corporal interfere na solução de problemas


Pesquisas mostram efeito de atividades físicas sobre habilidades intelectuais

Dois estudos independentes deram pistas curiosas sobre a tão debatida relação entre corpo e mente. Por meio de experimentos muito diferentes, cientistas demonstraram como alguns movimentos corporais podem favorecer ou atrapalhar o desempenho em tarefas cognitivas. Em um dos estudos, publicado na revista Psychonomic Bulletin & Review, psicólogos da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, penduraram duas cordas no teto de uma sala, a uma distância que não permitia que, pelo estiramento de ambas, a extremidade de uma alcançasse a outra – no entanto, essa era justamente a tarefa que devia ser cumprida. Algumas ferramentas estavam à disposição dos voluntários: um livro, uma chave de boca, um prato e um haltere. Para executar a atividade, a única solução possível era atar um dos objetos à ponta de uma das cordas e balançar as duas.

Antes do teste, entretanto, as pessoas tiveram de fazer alguns exercícios físicos. Para um dos grupos foi pedido que movessem os braços para a frente e para trás. Aos outros voluntários pesquisadores solicitaram que flexionassem e estirassem os braços ao longo do corpo. Para que ninguém tivesse consciência da relação dos movimentos com a tarefa, foram incluídos exercícios “neutros”. Resultado: o índice de acertos foi muito maior entre os participantes que balançaram os braços, enquanto os demais falharam por insistir em estirar as cordas. Posteriormente, questionários revelaram que os voluntários não tinham consciência da relação entre os movimentos corporais e a solução da tarefa.

O segundo experimento, relatado em um artigo na revista Psychological Science, é ainda mais enigmático. Pesquisadores da Universidade de Nijmegen, na Holanda, usaram o Teste de Stroop, em que o participante deve dizer qual a cor das palavras que aparecem na tela do computador. O problema é que muitas dessas palavras são os nomes das cores escritos em outra cor (por exemplo, amarelo aparece grafado em azul) – isso é o que os cientistas chamam de palavras incongruentes –, o que sempre confunde os voluntários e, consequentemente, os induz ao erro.

Antes de o teste começar na tela do computador havia instruções pedindo para os participantes darem quatro passos em uma de quatro direções: para a frente, para trás, para a esquerda ou para a direita. Aqueles que andaram para trás levaram muito menos tempo para dizer, corretamente, a cor em que estavam grafadas as palavras incongruentes. As bases psicofisiológicas dos fenômenos observados nos dois estudos ainda são desconhecidas, mas, segundo os autores, esses achados reafirmam a antiga ideia de que a mente não se limita apenas ao cérebro. Ela compreende o corpo, algo que é descrito por alguns cientistas como “cognição incorporada” (do inglês embodied cognition).

fonte: Viver Mente e Cérebro

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Escritor aponta 84 exercícios para ativar o cérebro e o talento

Catalina Guerrero.


Redação Central, 9 jul (EFE).- O cérebro, esse órgão branco e gelatinoso de apenas 1,3 quilo, é uma máquina fascinante, cheia de possibilidades, mas precisa de exercício.


O melhor de todos é pensar, algo teoricamente ao alcance de todos e que é, além disso, grátis.


É o que diz o publicitário Joaquin Lorente em seu livro "Piensa, es gratis" (Pense, é de graça), com uma capa amarela, cor tabu para os artistas, mas que não amedronta o autor.


"O que não pode haver é o medo intelectual. O pior do medo é o que te derrota antes da luta. É preciso tentar sempre", disse.


Para vencer esse medo, mas, sobretudo, para potencializar o talento, Lorente propõe 84 princípios, anunciados como slogans, iniciando com "Começamos a pensar que devemos pensar?".


O autor foi assessor pessoal dos ex-presidentes do Governo espanhol Felipe González e do catalão Jordi Pujol, e condensa a aprendizagem de sua bem-sucedida experiência de vida nesta obra, depois de "Tudo o que sei da publicidade" sobre seu saber profissional e em "Cidadãos da Terra.com", que mostra sua visão sobre a futura evolução da democracia.


Seus 84 fundamentos de idéia práticas têm o objetivo de estimular as pessoas a alcançarem o sucesso através da inteligência, do trabalho bem feito, da dignidade.


Escrito em tom direto, cheio de imagens e com frases de efeito, como "só o concreto fura, penetra no cérebro", seu livro não é um manual de autoajuda, mas de "autoconvicção".


"Não se pode esperar que os outros o construam", afirma, com veemência, em entrevista à Agência Efe. "Temos que começar a acreditar um pouco mais em nós mesmos. Não pode haver um cata-vento, é preciso uma âncora, pés no chão".


Vários de seus princípios são baseados nesta idéia, como "Se você quer conhecer seu melhor professor de energia, olhe para o espelho", "Se você não sabe o que busca, nunca saberá para onde vai", "Sem personalidade você é uma mosca", "Você é a direção que tomam seus pensamentos" e "Preste atenção na qualidade de sua energia. A positiva faz avançar; a negativa freia e faz retroceder".


Suas reflexões partem da premissa de que, já desde a fecundação, a vida é puro acaso e que "a sorte é o acaso aproveitado". Para que as coisas aconteçam, é preciso adotar uma atitude receptiva e ativa, de acordo com o escritor.


O triângulo do êxito, assegura Lorente, é "uma ideia, bastante olfato e muita coragem", enquanto o do fracasso são "muitas ideias, bastante olfato e zero coragem".


"O ato de pensar em liberdade, sem separação nem limitação, é o que faz realmente as pessoas serem grandes, assim como organizações e países", diz.


Para não perder de vista a meta, é necessário projetar-se no futuro, e para isso recomenda escrever em um papel seu objetivo de vida pessoal, social e profissional.


"Há muita gente que não pensa, simplesmente vai vivendo. Os anos se passam e um dia a pessoa se dá conta de que está em um lugar para onde não queria ir, em uma relação que não lhe interessa e em um trabalho que não gosta".


"Minha posição - conclui - é que se você não consegue pensar por si mesmo, os outros pensaram", e deixa aberta uma porta à esperança, pois "você sempre pode mudar de caminho".


E, para os supersticiosos, um último conselho - por causa do amarelo da capa do livro: "Não se deve ter superstições, mas prevenções. As prevenções não vêm de cores, nem de números, nem de gatos, nem escadas; as prevenções vêm de gente que não está bem consigo mesma, de pessoas ruins". EFE


fonte: G1


Como manter habilidades cognitivas na terceira idade

Envelhecer não implica necessariamente na perda da função cognitiva. Um novo estudo, publicado na edição de junho da Neurology, revelou que características e hábitos de vida e cuidados com a saúde estão fortemente associados à manutenção das capacidades intelectuais de idosos.

Durante oito anos pesquisadores acompanharam 2.500 pessoas com idades entre 70 e 79 anos, e as submeteram a vários testes de habilidades cognitivas, sendo que muitos dos participantes já apresentavam declínio na função cognitiva. Durante a pesquisa, 53% dos voluntários apresentaram declínio considerado normal conforme envelheciam e 16% mostraram prejuízo cognitivo mais acentuado. No entanto, 30% dos participantes não apresentaram mudanças em seu desempenho nos testes ao longo dos anos. Os pesquisadores examinaram então quais fatores diferenciam as pessoas que mantiveram as habilidades cognitivas das que perderam algumas habilidades.

Idosos que se exercitam pelo menos uma vez na semana, possuem no mínimo ensino médio completo, um bom nível de instrução, não fumam e levam uma vida social ativa são mais propensos a manter a função cognitiva na velhice.

Para a autora do estudo Alexandra Fiocco, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, muitos dos hábitos prejudiciais podem ser mudados. Segundo ela, descobrir fatores associados à manutenção da cognição que favorecem ou retardam o início da demência faz com que as próprias pessoas se responsabilizem, ao menos em parte, pela qualidade de seu processo de envelhecimento. "Além disso, esses resultados podem ajudar a entender os mecanismos envolvidos no envelhecimento saudável", afirma a pesquisadora.

fonte: O Pantaneiro

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Exercite sua cuca

Atividades físicas ativam a memória, reduzem a ansiedade, dão prazer e aliviam a tensão do seu cérebro

texto Rafael Tonon


ilustração Gunther Ishiyama

Se, quando alguém fala em exercício para a cabeça, você logo pensa em se jogar no sofá com uma revistinha de palavras cruzadas, ler um livro cabeçudo ou encarar uma partida de xadrez, está na hora de se levantar, colocar um tênis confortável e encarar uma corrida para conhecer o que a atividade física é capaz de fazer por sua mente.

Que a prática de esportes faz bem para o corpo, tonifica os músculos e melhora a capacidade respiratória, todo mundo já sabe. Mas os cientistas descobriram que, muito além dos benefícios para o corpo, os exercícios são ótimos para a saúde do cérebro. Não é novidade, por exemplo, que fazer artes marciais, dança, natação, esportes coletivos – e até jogar peteca – favorece o bombeamento de sangue, o que indica mais oxigênio pelo corpo, inclusive para as células da massa cinzenta. Isso significa que quem faz exercícios físicos regularmente tem risco menor de sofrer pequenos e grandes AVCs (acidentes vasculares cerebrais), que colocam a mente e a vida em perigo.

Mas a grande novidade é que os exercícios aeróbicos estimulam a criação de novos neurônios, o que era impensável até o fim dos anos 90, quando se acreditava que nascíamos com uma quantidade certa de neurônios (cerca de 86 milhões) e que esse número só diminuiria com o passar dos anos. O que mostra que a mente pode estar em constante renovação – e bem mais atlética.

Novos em folha “Além de possibilitar o ganho de novos neurônios, o exercício aumenta a capacidade de interação e comunicação entre eles, que é o que chamamos de sinapse”, afirma Li Li Min, professor do Departamento de Neurologia da Unicamp. Isso quer dizer que os exercícios físicos não só aumentam a quantidade de jogadores em campo no cérebro (que seriam os novos neurônios) como também melhoram a qualidade do passe entre eles (sinapse). Porque não adianta só ter jogadores bons se eles não sabem passar a bola para o jogo fluir, né? Como no futebol, o time só ganha se jogar em equipe. E, para termos sinapses, os neurônios precisam se comunicar bem.

O neurologista orientou um estudo interessante para comprovar a influência de atividades físicas no cérebro. Os pesquisadores coordenados por Min analisaram imagens cerebrais de oito lutadores de judô, oito corredores de maratonas de longa distância e 20 sedentários. E perceberam um aumento na massa cinzenta daqueles que praticavam esportes. “A pesquisa serviu para mostrar a capacidade adaptativa do cérebro aos exercícios. Se a prática de esportes pode influir inclusive na plasticidade da massa cinzenta, fazendo com que áreas do cérebro se desenvolvam mais, isso indica que os benefícios das atividades físicas são mesmo inegáveis à mente”, diz Min. Assim como a questão dos neurônios, o aumento da massa do cérebro era outro tabu: acreditava-se que ela só podia ser desenvolvida por algumas doenças que fariam o órgão se tornar maior em alguma parte. O estudo do professor Min mostrou que, como qualquer músculo do corpo, o cérebro também pode “ganhar massa”, dependendo da região à qual aquela prática esportiva está associada.

A boa notícia é que o número de neurônios novos adicionados a cada dia pode até duplicar se você mantiver a prática de exercícios regulares. É claro que, em casos de doenças ou hábitos que promovem a degeneração dos neurônios (como o uso de drogas e álcool), as atividades físicas não podem fazer milagre pelo equilíbrio neuronal do cérebro – o placar das perdas há de ser maior que o dos ganhos. Mas, se você mantém uma rotina saudável, esses neurônios a mais podem fazer uma bela diferença no bem-estar da sua mente.

Cabeça relaxada Como no combate ao estresse, por exemplo. O hipocampo, área do nosso cérebro responsável por associar novas informações, funciona como nossa agenda interna, tentando dar conta de tudo para evitar que a tensão sobre o que temos que fazer tome os nossos pensamentos. Nos momentos em que somos expostos ao estresse, nosso corpo produz cortisol, um hormônio que é enviado para a corrente sanguínea. Quando o nível de cortisol está elevado, é papel do hipocampo perceber e dar um alerta ao organismo para parar de produzi-lo. O problema é que, quando o estresse é crônico, as altas doses sustentadas de cortisol acabam matando os neurônios do hipocampo por excitá-los demais. E os primeiros neurônios afetados são justamente aqueles que deveriam responder ao estresse.

Aí não tem jeito, o estresse toma conta do corpo, gerando ansiedade, tensão e depressão, que são os males relacionados a ele. Para evitar ou sair desse ciclo, o corpo precisa de ajuda. “E o exercício é uma maneira de auxiliar o hipocampo a melhorar o controle da resposta ao estresse, pois aumenta o número de neurônios nessa estrutura”, explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, autora do livro Fique de Bem com Seu Cérebro. A produção de neurônios novos pode repor os que foram perdidos por conta do excesso de cortisol.

Nesse sentido, as atividades físicas funcionam como os antidepressivos e estabilizadores de humor indicados pelos médicos para doenças como a própria depressão e os transtornos de ansiedade: elas ajudam o hipocampo a tomar as rédeas da situação. Mas de uma forma natural, sem que seja necessário ingerir as cargas químicas desses medicamentos, que podem ainda causar efeitos colaterais não desejados.

Por isso, quem já sofreu de ansiedade ou tem caso de depressão na família pode ter o exercício como um aliado para evitar o problema – ou sua reincidência. Nos casos crônicos, em que a apatia está tão arraigada que a vontade de sair da cama é nula, não dá para exigir que a pessoa saia correndo pelas ruas, claro. Mas, assim que a pessoa ganhar motivação, vale incentivá-la a fazer esportes. “Contar com um número maior de neurônios antes que o estresse se estabeleça também confere grande vantagem ao cérebro, que conseguirá agir mais rapidamente quando uma eventual resposta ao estresse se instalar no corpo, impedindo que ela fuja do controle”, afirma Suzana.

Os exercícios representam também outro ganho bastante significativo para o hipocampo. Como é essa a área do cérebro que determina nossa memória, ao praticar atividades aeróbicas é possível ter uma melhora nas lembranças e na capacidade de aprendizado. Isso porque o hipocampo, como responsável pela formação de memórias novas, decide quais informações vão continuar em campo ou levar cartão vermelho e “serem expulsas” do cérebro. Afinal, quando não há espaço para guardar mais informações, ele precisa deletar outras. Uma quantidade maior de neurônios ajuda a dar conta do trabalho.

Em busca da juventude Nesse caso, há uma relação direta com o hormônio do crescimento (GH), que também é produzido em maior quantidade quando começamos a suar por conta de uma atividade aeróbica. Idosos que se exercitam com regularidade conseguem reverter o declínio das funções cerebrais que são acarretadas pela idade. As atividades físicas são como uma fonte de juventude para o cérebro, evitando o envelhecimento e melhorando a memória.

E sabe o que é mais legal nessa história toda? É que o próprio cérebro sabe do benefício da movimentação do corpo e nos ajuda a evitar o sedentarismo. Basta vencermos a preguiça e encontrarmos um exercício prazeroso para ficarmos viciados nele – nos dias que a rotina corrida nos impede de praticálo, ficamos até mal-humorados. Isso acontece porque as atividades físicas ativam nosso sistema de recompensa e dão ao corpo uma enorme sensação de prazer e euforia. Quando o exercício acaba, o cérebro quer ter aquela sensação de novo, e incentiva o corpo a fazer mais vezes aquela atividade. É como um vício, só que do bem.

Mesmo assim, fique de olho na quantidade. Não é só porque as atividades físicas fazem bem que você vai viver na academia ou correr mais tempo do que seu corpo aguenta. Como tudo na vida, o excesso do que é bom acaba sendo ruim. Exercício demais também pode ser fonte de estresse. A melhor saída é fazer exercícios que deem prazer. “Se forçarmos alguém a correr todos os dias, o resultado será uma resposta crônica ao estresse catastrófica para a saúde do corpo e da mente”, diz Suzana. Portanto, não importa o exercício, desde que ele seja prazeroso e intenso o suficiente para aliviar a tensão do cérebro, melhorar a memória e acalmar a mente. Você está esperando o que para deixar essa revista por umas horinhas e ir se exercitar, hein?

fonte: Vida Simples


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Busca na Internet estimula mais o cérebro do que livros

Mais uma pesquisa para alimentar a polêmica se a Web é como a TV e "deixa burro, muito burro demais", como diz a música, ou se ela exercita a inteligência.Pesquisadores da UCLA (Universidade da Califórnia de Los Angeles) concluíram que fazer buscas na Internet pode estimular e ajudar a melhorar o funcionamento do cérebro mais do que ler um livro.Eles notaram que buscar na web desperta centros no cérebro que controlam a tomada de decisões e o raciocínio complexo em adultos de meia-idade e idosos.No entanto, o estudo conclui que essa maior atividade dos neurônios só acontece em pessoas que já estão familiarizadas com a experiência de Internet.A pesquisa foi feita com a ajuda de 24 voluntários com idades entre 55 e 76 anos, sendo que metade tinha hábito de acessar a web. Eles leram livros e fizeram buscas a Internet sob monitoramento de máquinas de ressonância magnética.
Na imagem do exame dá para ver a diferença entre o cérebro de quem já está acostumado a buscar na Internet e de quem é iniciante na atividade (verifique a imagem no artigo original).
Cada pontinho vermelho é um voxel, que representa entre 2 a 4 milímetros cúbico de cérebro que é ativado pela atividade que está sendo analisada: no cérebro de usuários experientes, foram encontrados 21.782 voxel (direita) em comparação com os 8.646 voxels das mentes dos inexperientes (esquerda).O estudo pode ser consultado no American Journal of Geriatric Psychiatry.Via The Register

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Idosos utilizam jogos para tentar manter mente ativa

Manter a cabeça ativa é uma estratégia para evitar a perda de memória em idosos e minimizar ou adiar o aparecimento de demências. Apostando nisso, empresas de eletrônicos têm colocado no mercado jogos on-line ou de videogame voltados a esse público.

Atividades que antes eram feitas apenas no papel, como cruzadinhas, sudoku e variados exercícios para treinar a mente agora podem ser feitos em aparelhos eletrônicos.

Kevin Lamarque/Reuters
Idosos assistem colega "jogar boliche" no videogame Wii; produtos oferecem "treinamento cerebral" com o intuito de melhorar memória
Idosos assistem colega "jogar boliche" no videogame Wii; produtos oferecem "treinamento cerebral" com o intuito de melhorar memória

Diversas pesquisas foram realizadas para comprovar os benefícios dos jogos. Muitas delas, com patrocínio das próprias empresas fabricantes. Porém, médicos ligados à saúde dos idosos ouvidos pela Folha questionaram até que ponto os produtos podem melhorar o funcionamento cognitivo.

Eles defendem que os jogos e outras atividades ajudam a preservar a mente, mas que os benefícios são restritos.

Produtos

Uma das empresas a perceber o filão foi a Nintendo, que lançou jogos como o Brain Age. Nele, o usuário pode acompanhar uma partitura, identificando as notas, fazer o troco de valores em dinheiro, escrever as palavras que escuta e memorizar uma ordem de números para depois lembrá-la.

Conforme o desempenho, o jogo diz se o cérebro do usuário está em forma ou não.

Depois dele, a linha "brain gym" (ginástica cerebral) ganhou concorrentes, como o MindFit e o Brain Fitness Program. Este último, vendido nos EUA, tem como slogan "seus netos irão lhe agradecer".

Já o MindFit foi tema de uma pesquisa recente sobre jogos. Divulgada em 2007 por pesquisadores em Israel, ela mostrou que os usuários do MindFit e de videogames clássicos tiveram melhoras na memória especial de curto prazo e na atenção. O estudo foi patrocinado pela fabricante CogniFit e envolveu 121 voluntários.

Mas foi outra pesquisa, divulgada em 2006, que chamou em especial a atenção dos médicos.

Comandada por institutos de saúde do governo americano, o estudo avaliou 2.832 pessoas e constatou que os que receberam treinamento de raciocínio, treino de velocidade ou memória tiveram desempenhos melhores em exercícios que um grupo controle --que não recebeu treinamento. Eles foram melhores até cinco anos depois.

Os resultados vão no mesmo sentido do que diz Carlos Paixão, da Sociedade de Geriatria do Rio de Janeiro. Para ele, jogos e outras atividades "podem melhorar a memória nessas pessoas que têm transtornos cognitivos que não são considerados demência".

Porém, segundo ele, não há nenhum trabalho realmente sério até hoje que mostre que a estimulação cognitiva previna o aparecimento de demências. Sonia Brucki, médica da Academia Brasileira de Neurologia, também diz que jogos eletrônicos têm a mesma propriedade que outras atividades por manterem a mente da pessoa ativa de alguma forma.

"A atividade pode ajudar aumentando as sinapses entre os neurônios. Ajuda a evitar a perda de memória e algumas doenças degenerativas e pode postergar o aparecimento de outras. Mas não pode ser em excesso. E se o paciente tiver que ter uma doença como o Alzheimer, vai ter de qualquer jeito."

Sonia diz que, treinando com jogos, o usuário pode ficar mais veloz em perceber um estímulo visual na tela, mas isso não quer dizer que ficará mais rápido em outras atividades do cotidiano. "Quem garante que vai deixar o reflexo mais rápido no carro. É muito mais interessante tentar lembrar uma notícia do que ficar lendo um computador", afirma. Entre as atividades recomendadas pela médica estão palavra-cruzada, sudoku e jogo da memória.

On-line

Além do videogame, a internet é também terreno vasto para proliferação desse tipo de jogos, a maioria voltados ao público em geral. Um deles, o www.brainbuilder.com promete resultados em poucos meses. Há também sites em português com jogos de raciocínio, sem a promessa de melhorar a memória, entre eles o rachacuca.com.br.

fonte: Folha On Line

sábado, 17 de maio de 2008

The New York Times: Treinamento da memória aumenta o poder cerebral

Um novo estudo descobriu que pode ser possível treinar pessoas para que se tornem mais inteligentes, aumentando o poder cerebral que tinham ao nascer.
Até hoje, tem sido presumido que o tipo de habilidade mental que nos permite resolver novos problemas sem qualquer experiência anterior relevante - o que os psicólogos chamam de inteligência fluida - é inata e não pode ser ensinada (apesar de ser possível melhorar o desempenho em testes com a prática).
Mas no novo estudo, pesquisadores descrevem um método para melhorar essa habilidade, juntamente a experimentos para provar que o método funciona.A chave, segundo os pesquisadores, é um treinamento cuidadosamente estruturado na memória ativa - o tipo que permite a memorização de um número de telefone apenas o tempo suficiente para discá-lo.
Este tipo de memória altamente relacionada com a inteligência fluida, segundo informações do artigo, parece contar com o mesmo sistema de circuitos do cérebro. Então os pesquisadores consideraram que aprimorar esse tipo de memória poderia aprimorar a inteligência fluida.Primeiro, eles mediram a inteligência fluida de quatro grupos de voluntários utilizando testes-padrão. Então eles treinaram cada um em uma complicada tarefa de memória, uma elaborada variação em "Concentração", o jogo de cartas para crianças, no qual eles memorizaram simultaneamente estímulos auditivos e visuais que teriam de recordar depois.
O jogo era ajustado para que, conforme os participantes tivessem sucesso, as tarefas ficassem mais difíceis, e, conforme falhassem, as tarefas ficassem mais fáceis. Isso assegurou um alto nível de dificuldade, adaptado individualmente para cada participante, mas não alto o suficiente para minar a motivação de continuar trabalhando. Os quatro grupos passaram por meia hora diária de treino por 8, 12, 17 e 19 dias, respectivamente.
Ao final de cada treinamento, os pesquisadores testavam a inteligência fluida dos participantes novamente. Para garantir que eles não estavam apenas aprimorando suas habilidades em fazer testes, os pesquisadores os compararam com grupos de controle que fizeram os testes sem o treinamento.
Os resultados, publicados na revista "The Proceedings of the National Academy of Sciences", foram surpreendentes. Embora os grupos de controle também tenham atingido ganhos, presumivelmente por terem ganhado prática nos testes de inteligência fluida, a melhora nos grupos treinados foi substancialmente maior. Além disso, quanto mais eles treinavam, mais altos ficavam seus resultados. Todos os participantes, do mais fraco ao mais forte, mostraram significativa melhora."A inteligência sempre foi considerada um traço herdado imutável", diz Susanne M. Jaeggi, membro do pós-doutorado em psicologia da Universidade de Michigan e co-autora do artigo. "Nossos resultados mostram que você pode aumentar sua inteligência com o treinamento apropriado".Por que o treinamento funcionou?
Os autores sugerem vários aspectos do exercício relacionado a resolver novos problemas: ignorar itens irrelevantes, monitorar o desempenho do andamento, gerenciar duas tarefas simultaneamente, conectar itens relacionados uns com os outros em espaço e tempo.
Segundo Jaeggi, ninguém sabe por quanto tempo os ganhos vão durar depois do fim do treinamento, e o formato do experimento não permitiu que os pesquisadores determinassem se a continuidade do treino produziria mais ganhos.
fonte: UOL