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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cafeína pode ser útil no tratamento da Doença de Alzheimer

  • Nos últimos tempos, sucedem-se os estudos demonstrando o efeito protector da cafeína em relação ao desenvolvimento de Alzheimer, uma doença neurodegenerativa sem cura. Tudo começou em 2002, com a publicação de um artigo de dois investigadores portugueses. Esta é a história desse artigo pioneiro, no 'European Journal of Neurology'

Um estudo publicado esta semana no Journal of Alzheimer Disease mostra que uma dose de cafeína equivalente a cinco chávenas diárias de café permite reduzir significativamente, no cérebro e no sangue de ratos idosos com Alzheimer, os níveis da proteína ligada à doença, diminuindo também os seus sintomas. Este é só o último de uma série de estudos nesta área, que se iniciaram no final da década de 90, pela mão de dois portugueses: Luís Maia e Alexandre Mendonça. Um pioneirismo que tem uma história e cujo futuro parece promissor.

Psicólogo de formação, Luís Maia decidiu fazer no final da década de 90 um mestrado diferente. Rumou à Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e foi aceite no mestrado de neurociências. Sob a orientação de Alexandre Mendonça, neurologista e especialista em doenças neurodegenerativas no Hospital de Sta. Maria, em Lisboa, o hoje professor e investigador da Universidade da Beira Interior lançou-se numa investigação que acabou por um abrir um novo caminho.

"Em 1999 saiu um artigo de cientistas norte-americanos, no qual se relatava um efeito neuro-protector da nicotina na doença de Parkinson", contou ao DN Luís Maia. Por essa altura, estavam também a ser desenvolvidos estudos para se perceber que factores poderiam ser neuroprotectores no envelhecimento. As xantinas, substâncias-primas da cafeína, tinham bons resultados em ensaios clínicos, em alguns países, e deste contexto surgiu a ideia de estudar a cafeína - um dos produtos "mais consumidos do mundo", sublinha Luís Maia -, em relação à doença de Alzheimer.

"Lembrámo-nos de trabalhar com os doentes do Serviço de Neurologia do Hospital de Sta. Maria, olhando para a sua história de vida, e tentar perceber se a cafeína podia ser isolada como factor neuroprotector da doença", conta.

A pergunta era arriscada e o resultado poderia ter sido negativo. Mas o que aconteceu foi o contrário. "Utilizámos uma metodologia muito refinada, o estudo de caso- -controlo emparelhado", explica o psicólogo.

Durante um ano, foram avaliados 72 doentes de Alzheimer e comparados com 72 pessoas saudáveis com características de género, sociodemográficas, de idade e de escolaridade idênticas. "Para encontrarmos as pessoas tivemos de contactar mais de 150", lembra o investigador.

Os resultados compensaram. Comparando a ingestão de café dos doentes nos 20 anos que antecederam o diagnóstico, com o mesmo período nas pessoas saudáveis, e também no pós-diagnóstico para os primeiros e no mesmo período para os saudáveis, verificou-se que os saudáveis haviam ingerido mais do dobro do café no primeiro período considerado, e quase o quádruplo no segundo. Conclusão: quem não consome café tem um risco acrescido em 40% de desenvolver a doença de Alzheimer.

Estava aberto caminho a novos estudos. Alexandre Mendonça continua a desenvolver investigação na área. Luís Maia continua a trabalhar em doenças neurodegenerativas. Mas, cafeína, só nas duas a três chávenas que bebe todos os dias.

fonte: DN Ciência

terça-feira, 7 de julho de 2009

Estudo sugere cafeína como forma de combater Alzheimer

Os amantes do café podem ter uma nova desculpa para tomar mais um copo, depois que um experimento realizado na Flórida (EUA) mostrou que uma dose de cafeína equivalente a cinco xícaras diárias de café fez com que ratos com sintomas de mal de Alzheimer recuperassem a memória.

A cafeína reduziu de forma significativa os níveis anormais de proteína beta-amilóide --um dos principais responsáveis do Alzheimer-- no cérebro e no sangue dos ratos, segundo cientistas da Universidade do Sul da Flórida, que publicam os resultados de seu estudo na versão digital do "Journal of Alzheimer's Disease".

"Este é um dos experimentos mais promissores sobre o Alzheimer em ratos até o momento", disse Huntington Potter, diretor do Centro de Pesquisa do Mal de Alzheimer (ADRC, em inglês) da Flórida.

Segundo o autor principal do estudo, o neurocientista Gary Arendash, do ADRC, "a descoberta é uma evidência de que a cafeína pode ser um tratamento viável para o mal de Alzheimer, e não simplesmente uma estratégia protetora".

Agora, os cientistas do ADRC e do Centro Byrd da Universidade da Flórida esperam poder realizar testes clínicos para avaliar se a cafeína pode beneficiar pessoas com transtornos cognitivos leves ou em uma fase adiantada do Alzheimer.

A equipe já pôde comprovar que uma única dose de cafeína reduz, em humanos, os níveis de beta-amilóide no sangue, mas seria necessário um estudo com prazo maior --seis meses, pelo menos-- para avaliar se melhora a memória em pacientes com Alzheimer.

O cientista afirma que não duvidaria em recomendar às pessoas que não têm hipertensão e que não estão grávidas uma dose diária de 500 miligramas de cafeína, preferivelmente em forma de café ou comprimidos. Essa dose equivale a cerca de cinco xícaras de café.

Fonte: BOL Notícias

domingo, 18 de maio de 2008

Ansiedade é responsável por 70% dos casos de enxaqueca

Maurílio Mendonça
mgomes@redegazeta.com.br


Quem sente dor de cabeça sabe: é só o problema começar que acabam o bom humor e a vontade de fazer qualquer outra coisa. Mas não adianta ficar estressado, pois a ansiedade é a responsável por 70% dos casos de enxaqueca. Isso sem contar com a cefaléia tensional, que, como o próprio nome já diz, é causada pela alteração no estado emocional.

A OMS relata que 46% da população terá uma crise de cefaléia tensional; e 14%, de enxaqueca, salienta o médico neurologista Marcelo Muniz, professor da Emescam.

Ele explica que as dores de cabeça relacionadas à cefaléia tensional são de menor duração, podem acontecer uma vez por dia e surgem no fim da tarde ou à noite, quando a pessoa começa a relaxar. Já as crise de enxaqueca chegam a durar de quatro horas a três dias inteiros, mas acontecem normalmente uma vez por mês. “Com exceção dos casos crônicos”, frisou.


Chances


O mais preocupante é que dois terços da população terão, de forma inevitável, uma dor de cabeça durante toda a sua vida. A afirmação é da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A cefaléia pode ser motivada por qualquer fator. Não adianta achar que a dor veio porque você não comeu direito ou exagerou no prato, ou porque você ficou o dia todo em frente à televisão ou diante do computador.

Essas questões não desencadeiam a dor, mas aumentam a chance do surgimento dela. “A medicina ainda não sabe o responsável da cefaléia tensional nem o causador da enxaqueca. Só se sabe que determinadas ações ou certos alimentos intensificam a dor”, explica o neurologista Marcelo Muniz.

Para o tratamento: remédios receitados somente pelo médico. Em alguns casos de enxaqueca, doses pequenas de antidepressivos ou anticonvulsivos são os mais indicados. Mas se o “gatilho” das dores estiver ligado à ansiedade, aconselham-se momentos de lazer, como esportes, além de acupuntura e ioga.


Mulheres sofrem mais de enxaqueca


A cada dez mulheres, duas sofrerão de enxaqueca. Já entre os homens, o caso acontece apenas em um a cada 20. A diferença já foi comprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e o responsável por essa diferença seria o estrogênio, hormônio em excesso nas mulheres. “Só foi descoberto que esse hormônio desencadeia a enxaqueca e aumenta as crises. Mas não podemos afirmar que ele seja o responsável por elas. O gatilho, o desencadeador de tudo, ainda não sabemos“, explica o neurologista Marcelo Muniz. Segundo ele, as mulheres são maioria sempre quando se fala de dor de cabeça, seja qual for.


Alimentação pode ajudar ou piorar os sintomas


Café: Ideal para reduzir as dores de cabeça. A cafeína está presente nos analgésicos. O chá verde e o chocolate amargo também podem ajudar. Mas o excesso de cafeína pode piorar as dores.

Gordura: Esqueça aqueles alimentos pesados, gordurosos, que levam dias para ser digeridos. Eles podem piorar as dores. Carne vermelha também entra na lista.

Fome: Ficar muitas horas sem comer também é um problema. A hipoglicemia pode aumentar a intensidade da dor de cabeça e, em raríssimos casos, desencadeá-la. O ideal é se alimentar de três em três horas, em pequenas porções.

Álcool: Bebidas alcoólicas também desencadeiam ou intensificam as dores de cabeça.

Leite: Quem sofre de intolerância à lactose, quando consome alguma bebida ou alimento que contenha leite, também pode sofrer de dores de cabeça. Vá a um médico caso isso aconteçaConservantes: Tudo qualquer tipo de alimento com conservante ou corante pode intensificar as dores. Há casos até de intoxicação por conta de alimentos ricos em produtos químicos.

Açúcares: Doces em gerais devem ser evitados, principalmente em grande quantidade, durante as crises. A situação pode piorar, e muito.


Quem sofre


30 milhões Essa é a quantidade de brasileiros que sofrem com algum tipo de dor de cabeça, segundo dados da Academia Brasileira de Neurologia.

66% da população Mundial vai ter, pelo menos, uma dor de cabeça na vida, revelam os dados repassados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Café pode ser mocinho e vilão Um cafezinho pode ser mais saudável do que muita gente imagina. Mesmo não sendo indicado pela maioria dos neurologistas, o café pode reduzir as dores de cabeça, já que a cafeína é encontrada em muitos analgésicos usados para controlar as crises.“Já ouvi relatos de pacientes que ao tomarem o café têm as dores reduzidas. Acho normal, visto que muitos medicamentos são feitos de cafeína. Mas, também, não vale a pena se entupir de café. Se já tomou o remédio, não ingira a bebida. Nada em excesso faz bem” , alerta o neurologista Marcelo Muniz.

O excesso da cafeína também pode fazer mal. “Ela, em excesso, contrai os vasos sanguíneos, o que pode aumentar, ainda mais, as dores de cabeça”, afirma a nutricionista Roberta Larica.

Ela aponta, ainda, além do café, outros alimentos e bebidas que podem ajudar a reduzir os sintomas da cefaléia. “O chá verde e o chocolate são ricos em cafeína, também. Mas opte pelo chocolate amargo. Ele tem menos gordura e açúcar”, explica.

O doce e alimentos gordurosos em excesso, segundo ela, também intensificam as dores. E o que era para ser saudável, torna-se prejudicial.


Até analgésico demais faz mal


Atire a primeira pedra quem nunca tomou um analgésico, sem se consultar com um médico, quando sentiu uma pequena dor de cabeça. Sempre tem alguém do lado, seja em casa ou no trabalho, com um comprimido a disposição. Basta um copo de água e pronto. Só que esses comprimidos em excesso podem provocar uma cefaléia difícil de ser tratada.

O excesso da automedicação, chegando ao ponto de ingerir o medicamento antes mesmo da dor de cabeça surgir, é um problema comum no consultório dos neurologistas. “É a cefaléia provocada por abuso de analgésico. Difícil de ser controlada”, conta o médico Marcelo Muniz.“Esse tipo de dor de cabeça funciona como uma dependência química. A pessoa nem sente dor de cabeça, toma o medicamento, em menos de quatro horas toma outro. É um círculo vicioso, de fato”, explica o neurologista.

Segundo ele, para tratar uma dor de cabeça é recomendável, primeiro, ir ao médico, para depois da situação ser avaliada, recomendar analgésicos com propriedades antiinflamatórias, ou, em casos mais extremos, pequenas quantidades de antidepressivos e anticonvulsivos.