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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Cientistas finalmente desvendam mecanismo da epilepsia

PARIS (AFP) — Pesquisadores americanos conseguiram finalmente explicar algo que a ciência identificou há 80 anos: que uma queda do nível do pH no cérebro, ou seja, um aumento da acidez dos tecidos cerebrais, é capaz de deter as crises epilépticas.

Analisando ratos geneticamente modificados, uma equipe multidisciplinar de Iowa, nos Estados Unidos, conseguiu aplicar os conhecimentos atuais em biologia molecular em constatações feitas há décadas, segundo o estudo publicado neste domingo na revista especializada Nature Neuroscience.

Na primeira metade do século passado, constatou-se que o fato de fazer um epiléptico respirar dióxido de carbono - substância que aumenta a acidez dos tecidos cerebrais - melhorava as crises.

Nos anos 50, comprovou-se que as próprias crises reduziam o nível de pH no cérebro.

Mas o que permitiu encontrar a chave para explicar este fenômeno foi uma revelação sobre a presença no cérebro de uma proteína, a ASIC1a, pertencente à mesma categoria dos "canais iônicos", que facilitam a difusão celular.

O estudo mostra que os ratos que tiveram o gene desta proteína suprimido apresentavam crises epilépticas mais intensas e de maior duração do que aqueles que tinham a proteína.

Além disso, os que tiveram o gene retirado não obtiveram nenhum benefício da queda do nível do pH cerebral. Por outro lado, aumentar o impacto da proteína evita que os ratos sofram crises severas.

Os pesquisadores constataram que, no começo de uma crise, a proteína reage a um aumento da acidez encerrando a atividade epiléptica.

"A ASIC1a não parece desempenhar um papel no gatilho da crise, mas quando ela começa e o pH cai, a crise pára", explicou Adam Ziemann, co-autor do estudo.

Segundo John Wemmie, principal autor da pesquisa, a ASIC1a parece efetivamente "ativar neurônios inibidores".

"Uma das coisas mais empolgantes em nosso estudo é que põe em evidência os importantes efeitos antiepilépticos do ácido sobre o cérebro, que já eram conhecidos há quase 100 anos, mas não compreendíamos o porquê, e que identifica o papel crucial desempenhado pela ASIC1a", apontou Ziemann.

Os pesquisadores reconheceram, no entanto, que ainda falta "muito trabalho" para "transformar esta descoberta em tratamento".

fonte: AFP

terça-feira, 3 de junho de 2008

Portadora de epilepsia tem direito a vaga de deficiente físico em concurso

O juiz substituto Everton Pereira Santos, em atuação na comarca de Goianira, Goiás, determinou que o prefeito municipal proceda imediatamente a nomeação e posse no cargo de agente administrativo a Ana Karolina Vieira dos Santos Mota, dentro das vagas reservadas aos portadores de necessidades especiais. Ela é portadora de epilepsia.

Segundo informações do tribunal, a autora foi aprovada no concurso público na condição de deficiente física, mas até o momento não obteve sua nomeação.

Ela relatou que na lista de aprovação dos deficientes consta o nome do candidato José Roberto Francisco de Souza, que obteve nota inferior à sua, além de que na publicação do resultado seu nome constava da lista dos não portadores de deficiência física.

Apesar de reconhecer que não existe jurisprudência sobre casos semelhantes, o magistrado justificou sua decisão explicando que a epilepsia é uma anomalia que gera uma série de transtornos na vida de seus portadores e por essa razão merece tratamento diferenciado, especialmente na concorrência com os demais candidatos.

"Além de todos os problemas decorrentes da doença, a candidata também possui e continua desenvolvendo perda da capacidade visual, o que também caracteriza uma deficiência. Por esse motivo não tenho dúvidas de que a impetrante, que possui duas doenças graves, é portadora de deficiência e, nesta condição, deve concorrer em qualquer certame que participe", observou.

Outro aspecto analisado pelo juiz foi o fato de a candidata ter demonstrado grande interesse em se inserir no mercado de trabalho, uma vez que conseguiu concluir o curso de Pedagogia sem se entregar diante das ameaças da patologia de que é portadora.

"O esforço da autora é admirável e deve ser aplaudido. A Constituição Federal assegurou a criação de políticas de inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho. Dessa forma o poder público deve oferecer treinamento para o trabalho e convivência social, facilitando o acesso aos serviços coletivos e auxiliando a eliminação do preconceito. O que não se pode admitir é que o poder público, assim como o setor privado, negue o direito da portadora de epilepsia de trabalhar, produzir e se incluir socialmente", concluiu.

Segunda-feira, 2 de junho de 2008

fonte: Última Instância

sexta-feira, 23 de maio de 2008

YouTube: Vídeos de ataques epilépticos geram protestos

  • A Sociedade Nacional para a Epilepsia da Grã-Bretanha (NSE) criticou a divulgação, através do YouTube, de vídeos de pessoas a terem convulsões, afirmando que algumas das imagens servem apenas para satisfazer o «voyeurismo» dos cibernautas.

No site de partilha de vídeos, foram publicados vários vídeos de ataques epilépticos reais e outros fingidos, tendo alguns ficheiros sido visitados por mais de 70 mil pessoas, um fenómeno comparado, pela NSE, aos espectáculos de aberrações populares que aconteciam durante o século IXX.

A organização revelou a preocupação de que algumas das imagens tenham sido colocadas no YouTube sem a permissão das pessoas envolvidas, já que, ao que parece, há imagens gravadas na rua, através de telemóveis, durante convulsões de «desconhecidos», e outras parecem ser feitas durante consultas médicas, explica a neuropsicóloga da NSE, Sallie Baxendale.

Os comentários aos vídeos foram, em geral, solidários, mas uma minoria sugeriu que o paciente poderia estar possuído e a precisar de um exorcismo. A médica, contudo, afirma não ter a certeza se as imagens divulgadas «são boas ou más», mas declara que, dependendo dos objectivos, poderia ser usadas para aumentar os conhecimentos da sociedade sobre o problema.

O YouTube anunciou que analisou e retirou o material, que considerou «inapropriado» e, portanto, «irregular em relação às políticas do site», de acordo com um porta-voz da página. «Quando os utilizadores denunciam conteúdo impróprio, analisamos os ficheiros o mais rápido possível, explicou o responsável, acrescentando que, «caso os membros desrespeitem os termos de uso várias vezes, as suas contas são desactivadas».

fonte: Diário Digital

terça-feira, 20 de maio de 2008

Avanços no tratamento da epilepsia


Entre os dias 12 e 15 de junho acontece o XXXII Congresso da Liga Brasileira de Epilepsia e a XXII Reunião anual da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica em Campinas, interior de São Paulo. O congresso, um dos mais importantes na área de epileptologia, ocorre regularmente a cada dois anos, em parceria com a Sociedade de Neurofisiologia Clínica.

A epilepsia afeta cerca de 1 % da população, do qual um terço, ou um pouco mais, tem crises resistentes à farmacoterapia. Daí a importância de os neurocientistas e profissionais da saúde estarem constantemente atualizados quanto aos inestimáveis avanços das pesquisas (experimental e aplicada) nesse campo, buscando aprimorar o conhecimento prático---teórico, a fim de fornecer aos pacientes tratamentos cada vez mais eficazes, com garantia de melhor qualidade de vida – princípios que regem a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) e norteiam a concepção do evento.

Devem participar da extensa programação cerca de 700 congressistas brasileiros e estrangeiros. Será dada ênfase aos transtornos e patologias psiquiátricas coexistentes com as epilepsias, o que em termos técnicos é denominado comorbidade. Estão previstos também a discussão de causas ou fatores precipitantes das crises epiléticas; estudos de biologia e genética molecular para o entendimento dos mecanismos de ação dos fármacos (e as formas de resistência a eles); avanços e contribuições das neuroimagens para o diagnóstico e as condutas neurocirúrgicas; progressos da eletrofisiologia, entre outros temas. Epilepsia na infância e na terceira idade, bem como sua relação com o sono são aspectos que estarão também em debate.

Informações: Eventus – www.eventus.com.br/epilepsia/, (11) 3361-3056; ou Liga Brasileira de Epilepsia – www.epilepsia.org.br, (11) 3085-6574.

fonte: Viver Mente e Cérebro

domingo, 18 de maio de 2008

Música cura?

Enquanto médicos debatem os supostos poderes curativos das notas musicais, sonatas de Mozart conseguem diminuir ataques de paciente epilético durante meses

Juliana Tiraboschi

Um dia desses deparei com uma notícia curiosa no jornal inglês "The Independent": médicos do Instituto de Neurologia de Londres publicaram um relato sobre o caso de um paciente epilético de 56 anos que reduziu seus sintomas com audições diárias de sonatas do compositor erudito Wolfgang Mozart.
Já tinha escutado falar do tal "efeito Mozart", especialmente relacionado a uma suposta melhora na inteligência e ligado à "Sonata Para Dois Pianos em Ré Maior", conhecida pelos especialistas como K.448. Também tinha algumas poucas informações sobre musicoterapia, como o fato de que ela pode ser passiva (quando o profissional toca música para o paciente), ou ativa (quando o paciente se engaja nas atividades de tocar um instrumento ou cantar). Ou que ela pode ser coadjuvante no tratamento de doenças mentais ou problemas motores. Mas nunca havia conversado com alguém que tivesse obtido benefícios das composições do gênio austríaco, além do prazer estético.
Intrigada com a história, liguei para o instituto e conversei com o professor de neurologia Ley Sander, que me surpreendeu falando um português perfeito. Sander tem pais brasileiros e nasceu no Rio Grande do Sul. "O efeito Mozart não é aceito universalmente", foi a primeira coisa que disse. O auge da popularidade do fenômeno foi em 2001, quando foi publicado um artigo de revisão escrito por John Jenkins, da Sociedade Real de Medicina do Reino Unido.

fonte: Galileu